- Se ela fosse um bicho, queria ser borboleta. Queria ser linda e poder voar. Ir pra longe quando as coisas não estivessem bem. Fugir um pouco, pra esfriar a cabeça. Sonhava em poder encantar as pessoas com a beleza de suas asas. Apesar disso, não era uma pessoa medíocre. Sabia e acreditava que o maior valor não era a beleza externa. Mas ainda assim, sonhava em ser colorida pela paixão do vermelho ou quem sabe pela sorte do verde. Poder enxergar coisas que nunca pôde. Tanto por ser grande, quanto por ser presa. Queria ter vários amigos. E ser “a best” de uma joaninha. Sempre gostou de joaninhas, mas ainda preferia as borboletas. Todo mundo acha que os insetos são insignificantes. Ela via tudo de uma forma diferente. Ela era delicada, frágil. Queria ser ligeira e começar tudo outra vez sempre que tivesse vontade. Viver em um mundo colorido. Ser vista como graciosa. Se ela fosse um bicho, seria uma borboleta.
- E o que aconteceu com ela, Tia Marcie?
- Acredito eu que tenha virado borboleta, assim como acreditam os gregos, que quando uma pessoa se vai, seu espírito é transformado no animal mais inconstante, símbolo de transformação. O animal que ela sempre quis ser. Se ela fosse um bicho... Na verdade, ela foi. E foi feliz!

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